No já «clássico» artigo What is web 2.0?, Tim O’ Reilly (2005) considera
que o funcionamento da web 2.0 se assemelha
ao do cérebro humano, com as hiperligações da rede a funcionarem como se de
sinapses se tratassem. A web 2.0 é,
por isso, o resultado de uma «inteligência colectiva» (a expressão é de Pierre
Lévy) e nela o utilizador é, simultaneamente, consumidor e produtor de informação.
Este novo modelo implica maior interação e maior dinamismo dos utilizadores
(Furtado, 2009; Maness, 2007) e «o uso das ferramentas participativas da web social maximiza a missão educativa
da biblioteca e dos bibliotecários, no que se refere ao estímulo à leitura,
escrita e investigação» (Furtado, 2009, p.139).
Neste contexto, caracterizado
pela quantidade e diversidade da informação, a par da possibilidade de difusão
e de reprodução sem limites, «a biblioteca precisa encarar o desafio de
abandonar o paradigma patrimonial e custodial, para se tornar numa rede multimídia
de informação» (Furtado, 2009, p.137). O professor bibliotecário terá, assim,
de acompanhar esse devir tecnológico. Cabe-lhe liderar o movimento de
integração das tecnologias da web 2.0
no acesso à informação, na transformação dessa informação em conhecimento e na
renovação da praxis pedagógica.
Ora, e apesar de muitas BE
já recorrerem às ferramentas da web 2.0,
é preciso que o estádio da sua utilização não permaneça centrado numa atitude
unilateral. Como salienta Furtado (2009, p.135) nas BE, em Portugal, há o
recurso aos blogues mas estes caracterizam-se pela escassez de comentários, por
parte dos utilizadores. Serão essas BE bibliotecas 2.0. Não, porque, a web 2.0 é, acima de tudo, «uma atitude e
não tecnologia”. (Davis, 2005, citado por Furtado, 2009, p.138). Se o movimento
de partilha de informação ainda é de sentido único, não há a criação de uma
inteligência coletiva.
Concluindo, a web 2.0 tem como pressuposto fundamental
o trabalho colaborativo. Por este motivo, ela é, hoje, um importante recurso
pedagógico, à disposição de todos os professores e, particularmente, dos
professores bibliotecários. Assim, o trabalho colaborativo, com recurso à web 2.0, na promoção das literacias, no
apoio ao curriculum, na implementação
de projetos e na gestão assume-se como um grande desafio para estes serviços e
para os professores bibliotecários. A Biblioteca 2.0 será, assim, centrada no
utilizador, recorre a vários media, é rica socialmente e comunitariamente
inovadora (Maness, 2007, p.49).
Eis alguns passos dados (ainda
tímidos) na minha biblioteca, em direção a uma Biblioteca 2.0:
> atualização diária do
blogue
> criação de um perfil no
Facebook
> criação de um espaço no
website do agrupamento
> disponibilização do
catálogo on-line
> utilização de QR codes em cartazes, a remeterem para as plataformas digitais da BE.
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Referências bibliográficas:
O’Reilly, T. (2005) What is web 2.0 [On-line]. Retirado de http://oreilly.com/pub/a/web2/archive/what-is-web-20.html?page=1
Acesso em: 18 out. 2014
> utilização de QR codes em cartazes, a remeterem para as plataformas digitais da BE.
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Referências bibliográficas:
Furtado, C. C. (2009). Bibliotecas escolares e web
2.0: revisão da literatura sobre Brasil e Portugal. Em Questão,v.15,
n.ᵒ 2, Porto Alegre, pp. 135-150.
Maness, J. M. (2007). Teoria da biblioteca 2.0: as
suas implicações para as bibliotecas. Informação & Sociedade:
Estudos, v.17, n. ᵒ1, pp. 43-51.
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